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Novamente Geografando

Este blog organiza informação relacionada com Geografia... e pode ajudar alunos que às vezes andam por aí "desesperados"!

Novamente Geografando

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A SUBIDA DA TEMPERATURA GLOBAL ESTÁ A SECAR OS LAGOS DO IRÃO

Mäyjo, 12.10.16

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Grande Lago do Sal

 

 

As autoridades iranianas já estão a ficar alarmadas. Com as temperaturas elevadas e a falta de precipitação que se tem registado no país nos últimos anos, grandes extensões hídricas estão a desaparecer. Teme-se um desastre humano e natural.

 

A possibilidade de se desencadearem movimentos migratórios devido à falta de água em certas regiões já é uma realidade no Irão. Há lagos milenários que estão a desaparecer, dando lugar a pequenas salinas, como é o caso do Grande Lago de Sal, que tinha 1800 km2 de superfície e agora só é irrigado numa zona que não excede 1 km2, pode ler-se no El mundo.

A seca que assola o Irão está a ser tão severa que os governantes já têm em cima da mesa planos infraestruturais para transporte de água desde o mar Cáspio, Golfo Pérsico e mar de Óman até às zonas mais áridas, que ficam a sul. Mas tal tem levantado polémica, pois tais obras implicariam a desflorestação de áreas consideráveis do país.

Além dos efeitos das alterações climáticas, em particular o aquecimento global, o Irão enfrenta também as consequências de uma gestão descontrolada dos seus recursos hídricos subterrâneos.

Foto: Zahida Membrado

 

No Irão, mulheres tiram o véu e postam fotos no Facebook

Mäyjo, 24.02.16
As iranianas resolveram desafiar as leis do país, que pregam o uso do véu em locais públicos. Nas fotografias, ele aparece em todos os lugares - caído sobre os ombros, ao redor do pescoço ou mesmo sendo usado como uma bandeira - menos onde deveria, na cabeça!

 

As imagens fazem parte do movimento "Stealthy Freedom of Iranian Women", que questiona as rígidas regras do uso do véu
As iranianas resolveram desafiar as leis do país, que pregam o uso do véu em locais públicos. Nas fotografias, ele aparece em todos os lugares - caído sobre os ombros, ao redor do pescoço ou mesmo sendo usado como uma bandeira - menos onde deveria, na cabeça!

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Fotos: Facebook

 

SABIA QUE AS MULHERES MUÇULMANAS NÃO USAVAM BURCAS OU HIJABS ANTES DOS ANOS 80?

Mäyjo, 23.02.16

AFEGANISTÃO

“Enquanto criança, lembro-me da minha mãe usar mini-saia e de nos levar ao cinemaA minha tia andou na Universidade de Cabul.” - Horia

As mulheres afegãs começaram a votar em 1919 - um ano depois das mulheres no Reino Unido e um ano antes das mulheres nos EUA. 

Cabul, Afeganistão, 1972
Cabul, Afeganistão, anos 60
Cabul, anos 60
Aula de Biologia na Universidade de Cabul
Escola
Sala de aula
Aeroporto de Cabul
Loja de música, Cabul, anos 60
Coro vocal afegão
Estudantes da Universidade de Cabul, anos 60
Estilista Safia Tarzi no seu estúdio, Cabul, 1969
O Afeganistão na Vogue de dezembro de 1969
Fotografia da Vogue de 1969
IRÃO
Mulheres protestam contra o uso forçado do hijab, Irão, março 1979
Mulheres iranianas protestam contra a lei do Hijab, em Teerão, 1979 | Fotógrafa: Hengameh Golestan
IRAQUE
Em 1933, matriculou-se a primeira mulher iraquiana em Medicina. 


Um grupo de alunos da Universidade, em Bagdade, em 1950
Um grupo de alunas da Faculdade de Medicina da Universidade de Bagdade, 1969
Estudantes em Bagdade, em 1939
Enfermeiras iraquianas
Aula de desenho, Bagdade anos 50
Concorrente do Iraque a Miss Universo, 1972



EGITO
Universidade do Cairo, Egito
Praia, anos 50
Mulher polícia, anos 60

 

Fontes: The Guardian, Amnesty International UK, Diario Norte, Feminist Pics, Dorar Aliraq, Egyptian Streets

 

Os templos do Irão

Mäyjo, 09.10.15

IRÃO: FOTOGRAFIAS RARAS REVELAM O BONITO E INTRICADO

DESIGN DOS TEMPLOS MUÇULMANOS 

Mohammad Domiri é um fotógrafo iraniano de 23 anos que passa horas do seu dia à procura de edifícios arquitectónicos imponentes e todos no seu país.

As fotos de Mohammad capturam principalmente os detalhes intricados dos grandes templos do Médio Oriente. Recorrendo a técnicas como a fotografia panorâmica e as lentes olho-de-peixe, este fotógrafo documenta o que de mais belo têm estes locais, refere o Daily Mail.

Devido a restrições que proíbem a permanência de muita gente nos templos e a proibição do uso de tripés para fotografar os espaços, assim como a dificuldade em conseguir uma autorização para fotografar dentro dos templos, as fotografias de Mohammad tornam-se de certa forma raras.

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Comovente: a carta de despedida da iraniana que foi enforcada

Mäyjo, 20.01.15

O desenvolvimento de um país também se “vê” por aspetos (indicadores) que não se podem quantificar, como é o caso da notícia que a seguir transcrevo.

 

Reyhaneh Jabbari foi enforcada no Irão por ter matado o homem que a teria violado. De nada valeram os apelos de clemência, ignorados pelas autoridades. Deixou uma carta comovente à sua mãe.

Reyhaneh Jabbari, detida desde 2007, quando tinha 19 anos, foi enforcada no dia 25 de outubro de 2014, acusada de ter matado o homem que a tentara violar. A sua confissão fora obtida sob ameaças e tortura e as organizações de direitos humanos mobilizaram-se, sem êxito, para que tivesse um julgamento justo. A carta que o Observador revelou no dia 28/10/2014 (traduzida da sua versão em inglês) foi escrita em abril e entregue a militantes pacifistas, mas só foi revelada seis meses depois.

Nela dirige-se à sua mãe, Sholeh Pakravan, que tinha pedido aos juízes para ser enforcada em vez da sua filha. Na última semana antes do enforcamento, Sholeh só pode ver a filha durante uma hora, acabando por saber da execução com apenas algumas horas de antecedência e através de uma nota escrita.

 

Aqui fica a transcrição dessa carta que vale a pena ler:

“Querida Sholeh, recebi hoje a informação de que chegou a minha vez de enfrentar a qisas [a lei de retribuição do sistema legal iraniano]. Estou magoada por não me teres deixado saber através de ti que cheguei à última página do livro da minha vida. Não achas que tenho o direito a saber? Sabes o quanto me envergonha saber que estás triste. Porque não me deixaste beijar a tua mão e a do pai?

O mundo permitiu-me viver durante 19 anos. Aquela noite assustadora foi a noite em que eu deveria ter sido morta. O meu corpo seria atirado para um qualquer canto da cidade, e dias depois, a polícia chamar-te-ia ao departamento de medicina legal para me identificar e também saberias que fui violada. O assassino nunca seria encontrado pois nós não temos a riqueza e o poder deles. Tu irias continuar a tua vida em sofrimento e envergonhada, e poucos anos depois morrerias desse sofrimento e nada mais haveria a dizer.

No entanto, esse golpe amaldiçoado alterou o rumo da história. O meu corpo não foi atirado para um lado qualquer, mas sim para a sepultura que é a Evin Prison e as suas alas solitárias, e agora para a prisão-sepultura de Shahr-e Ray. Mas entrega-te ao destino e não te queixes. Sabes melhor do que ninguém que a morte não é o fim da vida.

Ensinaste-me que cada um de nós vem a este mundo para ganhar experiência e aprender uma lição e que cada pessoa que nasce tem uma responsabilidade depositada nos seus ombros. Aprendi que, por vezes, temos de lutar.

Lembro-me muito bem quando me disseste que o homem da carruagem protestou contra o homem que me estava a chicotear mas este acertou-lhe com o chicote no rosto e ele morreu. Disseste-me que, de modo a criar valores, temos de perseverar, mesmo que isso signifique morrer.

Ensinaste-nos que, na escola, devemos enfrentar as quezílias e os confrontos como senhoras. Recordas-te da insistência dos teus reparos sobre o nosso comportamento? A tua experiência estava incorreta. Quando este acidente ocorreu, os teus ensinamentos não me ajudaram. Quando me apresentei em tribunal aparentei ser uma assassina a sangue-frio e uma criminosa implacável. Não verti lágrimas. Não implorei. Não me desmanchei a chorar pois confiava na lei.

No entanto, fui acusada de indiferença perante um crime. Eu nem mosquitos matei e as baratas que tirei do caminho, levei-as pelas suas antenas. E agora tornei-me em alguém que assassina premeditadamente. O modo como trato os animais foi interpretado como sendo masculino e o juiz nem se deu ao trabalho de ver que, na altura do acidente, as minhas unhas eram grandes e estavam pintadas.

Quão otimista é o que espera justiça dos juízes! Ele nunca questionou o facto de as minhas mãos não serem grossas como as de uma desportista, em particular de uma boxeur.

E este país, pelo qual cultivaste um amor em mim, nunca me quis e ninguém me apoiou quando, perante as investidas do interrogador, eu gritava e ouvia as palavras mais obscenas. Quando o meu último indício de beleza desapareceu, ao cortar o meu cabelo, fui recompensada: 11 dias na solitária.

Querida Sholeh, não chores pelo que estás a ouvir. No primeiro dia na esquadra, um agente velho e não casado, magoou-me por causa das minhas unhas e eu percebi que a beleza não é desejável nesta era. A beleza das aparências, dos pensamentos e dos desejos, uma caligrafia bela, a beleza do olhar e da visão e até a beleza de uma voz agradável.

Minha querida mãe, a minha ideologia mudou e tu não és responsável por isso. As minhas palavras não têm fim e dei tudo a alguém para que, quando for executada sem a tua presença e conhecimento, te seja dado a ti. Deixo-te muito material manuscrito como herança.

No entanto, antes da minha morte quero algo de ti, algo que tens de me dar com todo o teu poder, custe o que custar. Na verdade, isto é a única coisa que eu quero deste mundo, deste país e de ti. Sei que precisas de tempo para isto.

Posto isto, vou revelar-te parte do meu testamento mais cedo. Por favor, não chores e presta atenção. Quero que vás ao tribunal e lhes faças o meu pedido. Não posso escrever tal carta, a partir da prisão, que fosse aprovada pelo diretor; mais uma vez terás de sofrer por mim. É a única coisa que, se chegares a implorar por ela, eu não ficarei chateada, embora te tenha dito várias vezes para não implorares por nada, exceto para me salvares de ser executada.

Minha mãe bondosa, querida Sholeh, mais querida para mim que a minha própria vida, eu não quero apodrecer debaixo do solo. Não quero que os meus olhos e o meu jovem coração se transformem em pó. Implora para que, assim que eu seja enforcada, o meu coração, rins, olhos, ossos e tudo o que possa ser transplantado, possa ser retirado do meu corpo e dado a alguém em necessidade, como uma doação.

Não quero que o destinatário saiba quem sou, que me envie um ramo de flores ou até que reze por mim.

Do fundo do meu coração te digo que não desejo ter uma sepultura onde tu venhas chorar e sofrer. Não quero que vistas roupas pretas por mim. Faz o teu melhor para esquecer os meus dias difíceis. Entrega-me ao vento para me levar.

O mundo não nos amou. Não quis o meu destino. E agora entrego-me a ele e abraço a morte pois no tribunal de Deus eu vou acusar os inspetores, vou acusar o inspetor Shamlou, vou acusar o juiz e os juízes do Supremo Tribunal que me espancaram quando eu estava acordada e que não se abstiveram de me intimidar.

No tribunal do criador eu vou acusar o Dr. Favandi, vou acusar Qassem Shabani e todos aqueles que, por ignorância ou pelas suas mentiras, fizeram-me mal, passaram por cima dos meus direitos e que não tiveram em conta o facto de que, por vezes, o que aparenta ser realidade não é.

Querida Sholeh de coração mole, no outro mundo tu e eu seremosquem acusa e os outros, os acusados. Veremos qual é a vontade de Deus. Quero abraçar-te até que a morte chegue. Amo-te.”

 

 

Tradução da carta por Francisco Ferreira

 

Fonte: http://observador.pt